Varejo deve integrar loja física e e-commerce, orienta especialista alemão


Postado em 15 de agosto de 2017 por sbaldessar
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Para uma empresa do varejo se manter competitiva deve integrar loja física com e-commerce, ou seja, loja virtual. Esse foi um dos principais conselhos do professor e doutor Marc Knoppe, da Universidade de Ingolstadt, Alemanha, contratado pela Fecomércio SC, via Senac, para ser o consultor de empresários que integraram a missão à maior feira de varejo do mundo, a NRF, realizada na última semana, em Nova York.

 

O professor é especialista em varejo mundial e atua como diretor ou conselheiro de diversas multinacionais de varejo da Alemanha e Estados Unidos.

 

No workshop que ministrou para os catarinenses, cujo grupo foi liderado pelo presidente da Fecomércio SC, Bruno Breithaupt, Knoppe afirmou também que um outro grande desafio do varejo é a mudança de comportamento do consumidor.

 

Em função dos avanços das tecnologias digitais, especialmente do smartphone, o consumidor está mais exigente e ficou mais complexo trabalhar com marketing, explicou o professor, conforme informações repassadas à coluna pela equipe do Senac.

 

Confira a seguir conselhos estratégicos do professor Marc Knoppe para os lojistas catarinenses:

 

Estratégia de sucesso

– A principal estratégia para desenvolver e manter um empreendimento de sucesso é a integração do e-commerce com a loja física. Os negócios online e off-line precisam ser iguais: um mesmo preço, um mesmo produto, um mesmo conceito de serviço em todos os canais.

Além disso, novos canais como Facebook e Instagram, devem estar sincronizados e integrados. Em outras palavras, os varejistas precisam checar seu modelo de negócio e desenvolver uma estratégia de digitalização baseada em suas competências e aperfeiçoando suas limitações.

 

E-commerce ou loja física

– A verdade é que não faz sentido separar esses canais. Existe um cliente com um determinado orçamento e esse cliente vai gastá-lo de acordo com sua necessidade pessoal. Os clientes pesquisam online, coletam informações sobre os produtos e depois se dirigem a loja física para comprar.

 

O contrário também acontece. Todos os empresários têm que estar preparados para atender a essas exigências e oferecer ao cliente uma experiência integrada. E-commerce e loja física tem que ser um sistema único e analisados de maneira conjunta.

 

Se o empresário não for capaz de integrar esses canais, estará perdendo dinheiro. O que tem que ficar claro é que e-commerce e loja física não competem, ao contrário, eles se complementam.

 

Como fidelizar clientes

– Atualmente, para manter e atrair clientes, é importante entende-los. Verificar sua satisfação, identificar suas necessidades, seus desejos, suas aspirações e oferecer um excelente serviço. A empresa moderna deve estar centrada no seu consumidor e o varejista moderno deve olhar seus negócios com a perspectiva do cliente.

 

Não basta coletar dados sobre o cliente, é preciso desenvolver uma estratégia personalizada para interpretar os dados coletados. Isso dará ao empresário uma visão clara sobre o consumidor e ajudará a avaliar as suas exigências.

 

Isso ajudará a oferecer melhores serviços, melhor mix de produtos e dessa forma fidelizar o cliente em todos os pontos de contato.

 

Exemplo de estratégia

– Eu destacaria a Anthropologie. Sua estratégia de negócios é fantástica. Ao invés de focar na receita, essa marca desenvolveu um conceito de serviço ao consumidor e uma métrica que estabiliza e aumenta as opções do negócio.

 

Comparada com a concorrência, essa empresa tem alto índice de pessoal bem treinado para atender aos clientes. Os lucros e as vendas bem sucedidas são consequências dessa estratégia de negócio. Essa marca entendeu que o varejo depende de colaboradores preparados e motivados.

 

Sustentabilidade e inovação

– Alguns anos atrás a sustentabilidade e responsabilidade social corporativa eram um modismo de marketing. Agora a situação mudou completamente. Hoje é importante que as empresas sejam sustentáveis, transparentes e inovadoras.

 

Os clientes querem produtos e serviços sustentáveis, informações claras e fidedignas sobre a cadeia produtiva. Em contrapartida, eles estão dispostos a pagar mais por esse tipo de produto. Na Europa, as empresas estão desenvolvendo produtos sustentáveis para atender as exigências do consumidor.

 

Isso ajuda a criar uma conexão entre a marca e os clientes, além de conquistar novos consumidores e com isso aumentar os lucros. Acho que isso não é uma tendência somente na Europa. É algo que está acontecendo no mundo todo. Os empresários que ignorarem essa realidade sofrerão a longo prazo.

 

Varejo de desconto

– O varejo de desconto é algo que ainda não está presente no Brasil. Esse conceito de desconto foca em um pequeno número de produtos, porém muito bem organizados, e que são de necessidade básica da população.

 

O essencial dessa estratégia está na alta qualidade do produto por um bom preço, grande volume de vendas e foco no consumidor. Esse conceito também já está sendo aplicado na indústria de moda e outros setores.

 

A entrada desse modelo nos Estados Unidos e na Austrália foi muito bem sucedida. Tenho certeza que essa estratégia de descontos seria muito bem recebida no Brasil, pois ainda não existe concorrência.


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