O agronegócio se alia à TI


Postado em 21 de setembro de 2017 por FH
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Um levantamento inédito sobre Tecnologia da Informação (TI) feito pela Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) revelou quais serão o orçamento e o investimento aplicado pelas cooperativas em TI. O orçamento reservado para a Tecnologia da Informação pelas cooperativas agropecuárias (24) representa 77% do total do orçamento de todas as cooperativas pesquisadas (49). No total, o orçamento das cooperativas de agro para TI em 2017 será de R$ 198 milhões, sendo que, deste valor, R$ 63 milhões são destinados ao investimento em ampliações, melhorias, evolução da infraestrutura e compra de software, por exemplo. O investimento é principalmente voltado a novos projetos, processos, aquisições, data center e outsourcing.

O COO da Belagrícola, Alberto Araújo: empresa investiu R$ 100 milhões em TI nos últimos cinco anos

Com investimento de cerca de R$ 50 milhões, a Belagrícola – que atua na cadeia de recebimento, beneficiamento e comercialização de grãos e insumos -, de Londrina, iniciou em janeiro deste ano um projeto que deverá resultar em 25% mais eficiência nos seus processos e 5% a 8% mais retorno financeiro em até três anos. Batizado de Everest, o projeto consiste na unificação de todas as informações do núcleo de atividades da empresa em uma única plataforma ERP – SAP S/4HANA -, o que vai facilitar as consultas e tornar as análises mais assertivas e consistentes. Mais de 100 colaboradores foram contratados para dar apoio às atividades da companhia, já que parte das 150 pessoas envolvidas no projeto é de colaboradores da Belagrícola que passaram a se dedicar 100% ao trabalho.

Em um pré-projeto, o setor de RH já começou a “rodar” na nova plataforma. Segundo Alberto Araújo, COO da Belagrícola, já foi possível notar mudanças na eficiência do setor. Agora, a medida está sendo implantada na revenda de insumos, e em um segundo momento será levada ao comércio de grãos. “Você tem as informações em um único lugar. Isso facilita o acesso e aumenta a velocidade de tomada de decisão. Se preciso saber como está a margem de venda em uma região ‘x’, não preciso mais fazer consultas adicionais. Antes, eram vários sistemas que você tinha que juntar em uma base única para poder fazer as consultas”, explica Araújo. Segundo ele, a mudança também trará mais segurança às decisões baseadas em dados. “Como tenho processos únicos, isso impede ou dificulta qualquer erro de input (entrada) no sistema. Quando você tem vários sistemas, pode haver inconsistências”, ele continua.

Ritmo de crescimento
O setor de agronegócio é parte importante da carteira de clientes da FH, de Curitiba, empresa que está fazendo a implantação da nova plataforma ERP na Belagrícola. “Aproximadamente 20% dos nossos negócios estão no setor do agronegócio. É um setor que vem crescendo em relevância da FH e é o que manteve o ritmo de crescimento”, comenta Ricardo Fachin, diretor corporativo da FH. Para ele, o agronegócio está aumentando seus investimentos em tecnologia. “Cada vez mais o agronegócio está se valendo de tecnologia para ganhos operacionais e oferecer produtos e serviços que não ofereciam antes.”

A busca do setor na Tecnologia da Informação, segundo o presidente da FH, está principalmente na profissionalização da gestão e na adoção dos processos e tecnologias de governança já utilizados por outros setores industriais, e também em soluções que proporcionem informações mais precisas a fim de aumentar a produtividade. Um exemplo é o uso de IoT para coletar informações sobre o solo em tempo real e poder aplicar nele a quantidade correta de insumos.

No caso da Belagrícola, a nova plataforma também vai permitir, no futuro, que a empresa possa se conectar com os produtores rurais e tenha acesso a informações sobre eles em tempo real. “Dados sobre colheita, produção, para saber se um insumo naquele produtor teve desempenho maior que em outro. Abre um leque bem grande de oportunidades.”

Investimento
Foi nos últimos cinco anos que a Belagrícola intensificou os investimentos em TI, afirma o COO Alberto Araújo. Nesse período, ele estima investimentos de mais de R$ 100 milhões. Um dos investimentos foi em infraestrutura de comunicação para se conectar com as filiais. “Tem silos que não têm cabo de fibra ótica. Tem que fazer sistemas de rádio.” Outros montantes foram destinados a uma infraestrutura nova de data center, em geradores e em softwares de inteligência (Business Intelligence). O próximo passo, diz Araújo, será o IoT.

O orçamento em TI da companhia também cresceu nesses últimos cinco anos, passando de cerca de 0,5% para 1,5% da receita. O motivo para o aumento do orçamento e dos investimentos é a necessidade. “A tecnologia se tornou uma necessidade. O setor ainda tem uma grande necessidade
de utilização da tecnologia”, comenta o COO. Para ele, uma grande lacuna do setor de agro está na gestão da informação. “Em segundo lugar poderia vir automação, mas hoje a maior carência do nosso mercado é a organização e a gestão da informação.”

Monitoramento de aviários
O monitoramento em tempo real é o objetivo de projeto que está sendo implantado por uma empresa de Curitiba em granjas avícolas no interior do Estado. Segundo Almir Meinerz, presidente-executivo da SPRO IT Solutions, o projeto envolveu investimentos na casa dos milhões e ‘grandes clientes’ (uma agroindústria e uma cooperativa paranaenses) cujos nomes ainda não podem ser divulgados. O projeto foi possível após a aquisição pela SPRO de parte do capital societário de uma empresa gaúcha, a E-Aware, para a fabricação de sensores.

Os sensores são responsáveis por monitorar fatores como temperatura, luminosidade, umidade, nível de CO2 e peso das aves no ambiente das granjas. Com essas informações em mãos, os produtores podem chegar a set points (pontos de ajuste) mais precisos para fazer o manejo mais adequado de sua granja. “Trabalhamos essas informações para chegar à conclusão, por exemplo, de que é preciso ligar o exaustor quando a temperatura chega a 19 graus, e não 24. Queremos analisar as informações e chegar a determinado denominador, a um modelo ideal de manejo para aquele aviário, aquela região, aquele estado e, a qualquer desvio, gerar alertas para o avicultor e para a agroindústria a qual está ligado”, explica Meinerz.

Dessa forma, a agroindústria também pode monitorar todos os seus aviários e fazer ajustes na produção – se necessários – enquanto um lote está em andamento, não depois que já foi entregue. Agora, a ideia é levar a solução de monitoramento também para os setores de suinocultura e piscicultura. “Tivemos um primeiro resultado na gestão avícola e, nos últimos dez anos, em nenhum momento se teve a mesma rentabilidade”, afirma o presidente-executivo da SPRO.

Projeto piloto 
A SPRO, cuja atuação mais forte é na área de softwares de gestão, tem entre seus clientes cooperativas, agroindústrias e tradings. Seu software de gestão próprio, voltado a pequenos e médios produtores, está em fase de implementação e rodando como projeto piloto em seis produtores do Paraná, afirma Meinerz. O setor de agronegócio representa quase metade dos clientes da empresa, mas cerca de 70% do faturamento. “O agronegócio, pelo seu momento de forte expansão, está investindo mais que outras indústrias nos últimos dois anos”, opina Meinerz. Para ele, a tecnologia é necessária para sustentar o alto crescimento almejado pelo setor.(M.F.C.)

Desafios e tendências
A pesquisa da Ocepar também buscou saber o que as cooperativas consideram como principais tendências e desafios para o setor de Tecnologia da Informação. As cooperativas do setor de agro responderam que cloud computing (computação em nuvem), mobilidade e segurança da informação são as principais tendências, enquanto investimentos (devido ao momento atual da economia), segurança da informação e telecomunicações são os principais desafios.

“A tecnologia vem evoluindo de forma exponencial, mas as cooperativas têm uma dificuldade grande com a última milha (trecho que leva a internet até o cliente). Não adianta ter tecnologia e não ter comunicação. A grande saída são as redes via rádio, mas a fibra ótica seria a melhor saída, pois está livre das intempéries climáticas”, considera Plácido da Silva, coordenador de TI da Ocepar. Para ele, a segurança da informação também é um desafio, inclusive devido à tendência da mobilidade e do BYOD (Bring You Own Device, ou Traga Seu Próprio Dispositivo), que pode comprometer a segurança dos dados das cooperativas.

A computação em nuvem, considerada a maior tendência em TI, permite que as cooperativas possam acessar serviços via web, por exemplo. “Apesar de ser um tema já bastante batido, não tem nenhuma cooperativa que usa o sistema de ERP, por exemplo, em ambiente externo”, comenta Silva. O motivo, para ele, é o aspecto cultural. Setores de Saúde e Crédito, por outro lado, já usam a nuvem.(M.F.C.)

Fonte: Folha de Londrina


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