Empresas se unem para reaproveitar matéria-prima e tirar acordo do papel


Postado em 11 de outubro de 2017 por FH
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Com 12 empresas associadas, a Abinee (que reúne a indústria de eletroeletrônicos) criou a Green Eletron,
primeira gestora da cadeia de reciclagem do setor.

HP, Samsung, Apple, Lenovo e Embraco, entre outras, integram a entidade, que tenta unificar ações no setor e avançar no acordo nacional.

“Processamos de 300 a 400 toneladas por mês. Reaproveitamos 95% dos materiais eletrônicos, que voltam como matéria-prima para a indústria”, diz Mileide Cubo, gerente de operações da Sinctronics, uma das recicladoras parceiras da Green Eletron.

Processamento de lixo eletrônico na Sinctronics, empresa especializada nesse tipo de resíduo.

Mesmo com alta de 30% no volume de reciclagem em 2016, a Sinctronics usa apenas um terço de sua capacidade. “Há espaço para processarmos mais e  empregarmos mais”, diz a gerente da empresa, em Sorocaba (99 km de São
Paulo).

O Brasil ainda não tem tecnologia para reaproveitar placas eletrônicas, que acabam sendo exportadas para Canadá, Bélgica, Alemanha, Japão e Cingapura, onde metais preciosos são recuperados. “Fazemos a trituração e a separação de metais ferrosos, cobre e alumínio. Dos dez passos necessários, fazemos três. Em breve, vamos ampliar para sete”, diz Cubo.

A Nat.Genius, unidade de negócios para logística reversa da Embraco (que faz compressores para refrigeração), processou quase 11 mil toneladas de material nos últimos dois anos.

“Recebemos todos os tipos de eletroeletrônicos e aplicamos processos de engenharia para reutilizar tudo. Nada vai para os aterros”, afirma Luiz Berezowski, gerente sênior do Nat.Genius, que tem duas fábricas em Joinville (SC) e 70 funcionários.

Houve aumento de 39% na reciclagem de aço e 30% na de plásticos entre 2015 e 2016. “Peças com até 30 anos de uso viram matéria-prima para ventiladores, exaustores e até espremedores de suco.”

A Nat. Genius também é procurada por fabricantes para discutir como projetar produtos mais fáceis de reciclar no futuro. Também presta consultoria sobre redução dos custos de reciclagem. “É olhar o resíduo como valor. E não como algo que incomoda e que deve ser despachado para o aterro sanitário.”

O executivo destaca que, além de questões tributárias e de falta de incentivo, há dificuldades logísticas para fazer a reciclagem “pegar” no país. “Buscar materiais no Acre é diferente de buscar em SP”, afirma Berezowski.

Para ele, há também necessidade de mudar comportamentos para conquistar o engajamento do consumidor.

Uma das soluções defendidas pelo Instituto Gea, que trabalha com catadores, é que os municípios se envolvam no processo de reciclagem, o que inclui a criação de pontos de coleta e a formalização e qualificação de cooperativas
para colaborar nessas mudanças.

“São mais de 5.000 municípios no país. A criação de pontos municipais de coleta, em parceria com as cooperativas, facilitaria o escoamento do material e geraria renda”, diz Ana Maria Luz, presidente do instituto.

O Brasil precisaria investir cerca de R$ 12 bilhões até 2031 para criar uma estrutura adequada para dar destino apropriado a todos os tipos de resíduos sólidos de todos os segmentos, incluindo eletrônicos, segundo um estudo da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) em parceria com a consultoria GO Associados.

Para bancar os custos de construção e manutenção de usinas de reciclagem no país, outros R$ 16 bilhões por ano seriam necessários.

Fonte: Folha de São Paulo


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